Dossiê Mulher: Supesp recebe 34 artigos científicos sobre Violência Contra a Mulher
13 de março de 2026 - 11:06 ##supesp #Artigos científicos #Dipas #Dossiê Temático: Violência Contra a Mulher e Políticas de Segurança
Consolidando o seu trabalho de pesquisa, produção e promoção de publicações científicas em torno do tema estratégia em segurança pública, a Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp) recebeu, no último dia 09 de março, 34 artigos científicos com o tema “Dossiê Temático: Violência Contra a Mulher e Políticas de Segurança”.
São produções de pesquisadores de várias regiões do estado do Ceará e capital, além de trabalhos dos estados do Paraná (01), Espírito Santo (01), Minas Gerais (03) e Bahia (02). Todo o material, acompanhado pela Diretoria de Pesquisa e Avaliação de Políticas de Segurança (Dipas/Supesp), será submetido à análise da Comissão Científica da Supesp e em seguida divulgado no site da superintendência os trabalhos selecionados para publicação.
Para a superintendente da Supesp, Juliana Barroso, a elaboração do dossiê é uma importante contribuição nessa discussão urgente e grave que é a violência contra a mulher em nossa sociedade. “Todo aparato científico, policial, estratégico, institucional, é só uma parte do que devemos fazer para reduzir e acabar com essa tragédia que vivemos há alguns anos, todos os dias, que é a violência doméstica e contra a mulher em geral; e a Supesp faz parte desse esforço”, acrescentou a superintendente, que é a primeira mulher a liderar uma vinculada da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS/CE).
Desafios
Segundo o diretor da Dipas, Eudázio Sampaio, a iniciativa visa reunir contribuições acadêmicas e técnicas que promovam um debate crítico, interdisciplinar e qualificado sobre a violência contra a mulher, suas múltiplas manifestações e os desafios enfrentados pelas políticas de segurança pública, prevenção e proteção no Ceará e em outros contextos. “O dossiê busca subsidiar a formulação, o aprimoramento e a avaliação de políticas públicas baseadas em evidências, com foco na garantia de direitos, na equidade de gênero e na atuação integrada entre segurança pública e rede de proteção social”, afirma Eudázio.
O conjunto de artigos reúne análises sobre a violência contra a mulher a partir de diferentes perspectivas institucionais, territoriais e analíticas, evidenciando a complexidade desse fenômeno e seus múltiplos determinantes. Parte significativa dos estudos discute os limites e desafios das políticas públicas e das instituições responsáveis pela proteção das vítimas, abordando temas como a morosidade do sistema de justiça, a efetividade das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, a atuação das forças de segurança e o funcionamento da rede de proteção.
Empoderamento feminino
Nesse contexto, destacam-se avaliações de programas e práticas institucionais como o Grupo de Apoio às Vítimas de Violência (GAVV), iniciativas de policiamento comunitário, projetos de empoderamento feminino e o papel de diferentes atores institucionais como a polícia, assistência social, perícia e sistema de justiça, na prevenção e no enfrentamento da violência de gênero.
Outro eixo central dos trabalhos envolve a produção e análise de dados, indicadores e evidências empíricas sobre a violência contra mulheres, incluindo análises estatísticas, estudos espaciais e diagnósticos territoriais. Os artigos também enfatizam a dimensão estrutural da violência, evidenciando como desigualdades de gênero, raça, classe e sexualidade influenciam padrões de vitimização e a efetividade das políticas públicas.
Nesse sentido, são discutidos temas como a violência contra mulheres negras, populações LGBTQIA+, mulheres camponesas e indígenas, além da emergência de novas dinâmicas de violência no ambiente digital. Em conjunto, os estudos reforçam a importância de abordagens intersetoriais e baseadas em evidências para compreender e enfrentar a violência de gênero. Destaca-se a necessidade de aprimorar sistemas de informação, fortalecer a governança institucional e incorporar perspectivas interseccionais e territoriais nas políticas de segurança pública.