Universidade e Ciência ajudam na formação de políticas públicas para a segurança pública no Ceará

28 de fevereiro de 2022 - 09:12 # # # # #

Sob a coordenação da professora Emanuele Santos, o programa Cientista-Chefe da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS-CE) é responsável pelo desenvolvimento de um dos principais sistemas que auxiliam as Forças de Segurança no combate e prevenção à criminalidade: o Status (Sistema Tecnológico para Acompanhamento de Unidades de Segurança).

A ferramenta foi desenvolvida pelo projeto Inteligência Científica e Tecnológica Aplicada à Segurança Pública, que é parte do Programa Cientista-Chefe e fomentado pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap/CE), em parceria com a SSPDS-CE, sob a gestão da Superintendência de Pesquisa e Estratégia de Segurança Pública (Supesp).

Professora Emanuele Santos é formada em Ciência da Computação pela UFC com doutorado em Computação pela University of Utah (EUA)

O sistema consiste no uso de inteligência analítica para dados criminais, utilizando a ciência de dados, estatísticas, geoprocessamento e inteligência artificial. Por meio dela, os gestores direcionarão suas ações a partir da identificação das “manchas criminais” em cada território. O programa Cientista-Chefe foi regulamentado através da Lei nº17.378, 4 de janeiro de 2021, mas funciona desde 2018, quando iniciaram os primeiros experimentos e pesquisas para desenvolvimento da primeira ferramenta.

Apesar de assumir a função do programa em 2021, a professora Emanuele Marques dos Santos já realizava estudos, pesquisas e análises com visualização de dados e indicadores criminais desde 2012, quando voltou dos Estados Unidos recém-doutorada em Computação (Ph.d in Computing) pela University of Utah. “Desde que descobri minha vocação atuando na área de visualização de dados criminais, pensei em transformar aquela informação bruta em tabela e como aproveitar isso pra ter os ‘insights’, analisar gráficos e apresentar isso de maneira mais eficaz, transparente e verdadeira”, completou Emanuele Santos, que também é mestre em Ciências da Computação pela Universidade Federal do Ceará (2001). A professora conduz o desenvolvimento de ferramentas da Segurança Pública do Ceará, e desde 2015, atua na SSPDS no desenvolvimento de ferramentas como o Status e o Big Data Cerebrum.

Tese

Método, pesquisa, testagem, avaliação. Esse é o mesmo processo para se desenvolver uma vacina, por exemplo, até uma pesquisa sobre uso de células tronco. É o que conhecemos há séculos por Ciência, que também já é amplamente usada para uso na área da segurança pública. E o conhecimento que se desenvolve na Universidade Federal do Ceará (UFC) está entre os melhores do país e é muito bem aproveitado pela SSPDS e Supesp.

Com o sistema já submetido a fase de testes desde 2014, quando um estudante de Ciência da Computação da UFC fez a provocação para o desenvolvimento das primeiras pesquisas em torno sistematização das análises criminais, era a semente do que viria a ser o Status. “Tudo começou com uma tese de Doutorado do estudante José Florêncio, quando nos provocou para idealizar esses estudos e eu imaginava sobre como poderíamos contribuir para fazer uma análise melhor dos crimes, onde concentrar os esforços, recursos humanos, financeiros e isso se transformar numa política de segurança pública mais eficiente”, explicou Emanuele.

Além do Status, outros sistemas são desenvolvidos com a participação do Cientista-Chefe e acompanhados pela Supesp. Atualmente, são mais de 70 pessoas, entre professores pesquisadores, estudantes de mestrado, doutorado, graduação e terceirizados envolvidos no programa. O Cerebrum, outro sistema desenvolvido no Cientista Chefe, concentra todas as buscas reunindo dados de vários bancos de dados como companhia de energia, telefonia, transporte urbano, a própria polícia entre outros.

Em fase de desenvolvimento e ainda sem nome, existe um sistema que vai aperfeiçoar a visualização de dados e mobilidade de viaturas, identificando padrões de movimentos e percursos. “Estamos sempre trabalhando na melhoria de sistemas. Este sistema, por exemplo, vai dá mais detalhes do que o de Registro de Operações Táticas e Ações de Segurança (Rotas), outra tecnologia já em operação pela SSPDS e desenvolvida pela Coordenadoria de Tecnologia da Informação e Comunicação (Cotic), visualizando com mais amplitude os movimentos da viatura”, finalizou Emanuele.

Ascom – De que forma a universidade pode continuar contribuindo com a melhoria dos serviços na área da segurança pública?

Emanuele – A gente tem acesso a toda essa literatura e saber o que funciona ou não em termos de tecnologia e inovação aplicadas à segurança pública. Recentemente, foram publicados estudos com dados bem controversos. O papel da academia é justamente trazer o que há mais de novo pra dentro das secretarias ou dos órgãos e mostrar como resolver o problema dele usando a ciência. O caso de algumas soluções à violência na Colômbia, por exemplo, foi usado como referência e pudemos observar alguns modelos adotados. Então, esse acesso ao conhecimento é fundamental.

Ascom – Pode-se afirmar que a UFC está atualmente na vanguarda das pesquisas e estudos voltados para o uso de tecnologias na segurança pública ?

Emanuele – Com certeza. No Brasil, é certo de que todas as ferramentas que a gente desenvolveu aqui dentro da Secretaria já foram exportadas e adquiridas pelo Ministério da Justiça para serem implantadas em todos os estados. Nas conferências que visitamos em várias partes do Brasil e do exterior, onde podemos detectar o que está se fazendo, nós estamos no topo, entre os melhores. Os outros locais não fazem o que fazemos aqui.